Diariozin

#Diariozin 72 - Compartilhar Vulnerabilidades

15:11:00

Eu acabei de pseudo-desistir de algo que mal comecei simplesmente porque acho que não sou capaz o suficiente para fazer um good job e tudo porque, mesmo sem conhecer os profissionais que executam esse mesmo job, eu acredito cegamente que eles são melhores que eu, desconsiderando todos os fatos de que eu comecei hoje e eles estão aí já há algum tempo. 

Percebe o quanto isso é horrível? Desistir de algo sem nem começar por acreditar que qualquer pessoa é melhor que a gente é loucura e o pior é que eu sei. É horrível quando o medo consegue se sobrepor às nossas necessidades e impactar de forma tão negativa as nossas ações, mas é mais horrível ainda pensar que estamos sozinhos com esses sentimentos, quando na verdade não estamos. E eu tento me convencer disso todo santo dia.


Dia desses eu li algo sobre a importância de compartilharmos nossas vulnerabilidades com os outros, sobre como dizer o que a gente tá sentindo em um momento de extrema instabilidade pode ajudar alguém que tá aí em algum lugar sentindo a mesma coisa que nós. É incrível isso que a internet nos proporciona, porque aqui da minha casa, encarando todos os monstros ferozes da minha ansiedade, consigo falar com você que está aí na sua casa encarando os seus. E, a partir dessa conversa, a gente pode se ajudar. 

Se você parar pra pensar, a gente tá aí todos os dias recebendo uma enxurrada de fotos de vidas perfeitas, com pessoas ideais em empregos incríveis e isso acaba fazendo a gente se esquecer que todo mundo tem uma vulnerabilidade que precisa lidar e que isso que a gente vê na internet é só um fragmento de uma vida que, muito provavelmente, é tão comum quanto a nossa.

Então, quando eu li sobre a importância de a gente se mostrar tão humano e comum quanto de fato somos, me peguei pensando em todas as vezes que vi alguém que compartilhava sua fragilidade no mundo e como aquilo esquentava meu coração, inclusive, acalmava minha ansiedade de ser perfeita. Porque né, a real é que NINGUÉM NESSE MUNDO TODINHO É PERFEITO.

Eu sempre falo de autoestima, de aceitação e amor próprio, mas a verdade é que profissionalmente eu ainda não atingi esse nível de amor que é tão importante. Eu me pego o tempo todo me comparando com outros profissionais, diminuindo meus trabalhos e também achando que nada do que eu faço é bom. Resultado? Muitas coisas que poderiam ser incríveis guardadas a sete chaves na gaveta. Projetos que nem comecei porque achava não ser capaz ou possível. Coisas que poderiam, quem sabe, mudar a vida de alguém, mas que eu desisti mesmo antes de tentar. 

Hoje quando abri o blog pra escrever, decidi que faria isso por mim e que ao invés de ir lá deitar na cama em posição fetal talvez fosse mais produtivo compartilhar isso com o mundo. Mostrar pra você e pra mim que tá tudo bem mesmo ter vulnerabilidades, achar que as coisas nunca vão encontrar um rumo certo. Mas é importante que a gente saiba que também só tá tudo bem se esse sentimento passar. Se ele for constante, acho que o melhor a fazer é procurar ajuda. 

Eu e você estamos juntos nessa e é muito difícil mesmo manter a sanidade mental na atual conjuntura que vivemos no nosso país. Porque sim, mesmo que você não seja um ativista militante, a situação que tá lá da nossa porta pra fora, nos afeta diretamente. Seja o desemprego, a falta de grana, a preocupação com algumas causas e minorias. Tudo isso afeta a gente. Não dá pra fingir que o mundo tá colorido, quando na real ele não tá. 

Mas a gente precisa saber que não tá sozinho e desenvolver técnicas (que eu sinceramente ainda nem sei quais são) pra continuar a manutenção da nossa paz. 

Hoje eu dei uma pausa porque a pressão foi muito grande. Iniciei algo novo, ainda tô decidindo se quero ou não isso pra mim, mas eu me recuso a desistir antes mesmo de tentar. Foda-se que a gente se sente mal porque não nasceu sabendo, a gente precisa parar de desistir (eu preciso parar) e começar a confiar mais na nossa capacidade. 

Esse texto é só mais um capítulo da minha vida em que eu não sei o que fazer e coloco algumas palavras numa tela em branco. Mas eu sei que, de alguma forma, compartilhar isso com o mundo faz com que a minha energia passeie pela energia do outro e assim eu me sinto bem melhor. 

A gente tá acostumado a conviver com a perfeição dos feeds, dos empregos e da vida na internet, mas a real é que tá todo mundo enfrentando alguma coisa e bem, porque não compartilhar também essa parte da vida que ninguém vê. A vulnerabilidade existe e acho que quanto mais falarmos das  nossas e dividirmos isso umas com as outras, então talvez, a gente consiga se convencer de que essa lavagem cerebral da perfeição na moral, nem deveria existir. 

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Imagens e Créditos

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