Diariozin

#DIARIOZIN 71 - Troco likes por conexão

16:03:00



Conexão.
Começo esse texto pensando e refletindo ainda mais sobre a conexão que estabelecemos com pessoas que estão nos lendo, nos ouvindo, nos vendo, nos consumindo do outro lado da tela. Que no mundo há bilhões de pessoas a gente sabe, mas será que além desse número ainda somos capazes de nos enxergar como pessoas reais?

A internet é minha casa, aqui construí minhas ideias, reflexões, amadureci, conheci pessoas de todos os cantos do mundo e mais do que isso, me tornei a pessoa que sou hoje. Nasci sem internet, sou da época que a gente assistia VHS do Rei Leão quando nossos pais queriam que a gente desse uma trégua na bagunça. A internet entrou mesmo na minha vida aos 10 anos, mas só 4 anos depois estava eu lá com meu blog online escrevendo meus devaneios de adolescente. Ali, sem esperar nada em troca comecei meu relacionamento com a internet.

Conheci pessoas de diferentes cantos do Brasil que também faziam o mesmo que eu, jogavam textos na internet sem pretensão nenhuma, além do desabafo. Acontece que de lá pra cá tanta, mas tanta coisa aconteceu, que hora ou outra me pego questionando o meu lugar aqui. Os cometários eram outros, as pessoas terminavam de ler textos enormes e comentavam sobre aquilo que a gente compartilhava, havia sim, a conexão.

Há pessoas que ainda hoje, 14 anos depois ainda acompanho em outras redes, mesmo que elas não escrevam mais em seus blogs há anos.

Eu não to dizendo que aqui é melhor que as outras redes lá do seu Mark, mas foi aqui que tudo começou pra mim e por isso, quando lia um texto da Isadora Attab do blog E agora, Isadora? algo dentro de mim despertou e foi como se finalmente eu encontrasse uma resposta ou pelo menos um apoio a tudo isso que tenho sentido há tanto tempo estando aqui na internet.

O modo de consumo e relacionamento foi amplamente alterado pela internet, MAS a verdade é que isso não mudou apenas no mundo virtual, isso escorre para a esfera terrestre real e nos distancia cada vez mais de conexões. Eu amo a internet, não quero sair daqui tão cedo, pois acredito no seu poder transformador. Não acho que ela nos distanciou de pessoas que amamos e que já conhecemos na vida real, acho que ao contrário ela nos aproxima, porque falar com um amigo todos os dias virtualmente representa sim que há uma amizade sendo alimentada ali.

No entanto, a reflexão vai mais longe se a gente fala das pessoas que conhecemos pela internet e que através dela admiramos. Quantas são as vezes que vemos comentários exaustivos nas contas de famosos com apenas "me nota", "ME SEGUE", "nossa, nem me responde", "caramba, me nota por favor" e por aí vai. Percebe algo em comum entre esses tipos de comentários? Sim! Impessoalidade, nenhuma interação e 100% de necessidade de ser notado e receber atenção. Transformamos pessoas em números, nos transformamos em números e tudo o que a gente quer, como bom conhecedores da matemática básica, é somar mais e mais. Mas nessa loucura de querer mais e mais números, nos esquecemos que nessa conta nós somos o produto! E será que é isso que a gente quer? Essa é de fato a internet que queremos?

Bem, eu não! Eu troco likes por conexão, quero voltar a empatia e a partilha pelo amor e não pelo like. Exercitar o botão do like com outro significado, mostrar que admiro ou que me identifico com aquele conteúdo que alguém do outro lado da tela pensou e produziu. E eu acho que somos muito capazes de reformular essa equação e virar o jogo por uma internet mais afetiva.

 Como meu objetivo aqui, além do bla bla bla todo, é te fazer refletir também, separei 3 tópicos, que mais se parecem com dicas pra você começar a construir do lado daí a sua internet mais afetiva também!

  1. Reflita sobre o conteúdo que você consome!
  2. Se o conteúdo não te traz sentimentos bons, não siga alguém apenas para saber da vida da pessoa
  3. Interaja se tiver vontade, comente o que pensou quando viu aquele conteúdo. Participação real é importante!

Se a gente quer transformar a internet em lugar melhor e mais afetivo, precisamos começar por nós mesmos, precisamos eliminar esse sentimento terrível de que os números significam alguma coisa e parar de pirar só porque aquela foto não teve o máximo de curtidas esperados. Ok, precisamos reconhecer que os algorítimos não são honestos com quem tá ai na luta criando conteúdo todo dia, mas também saber que nosso trabalho precisa ser motivado por outra coisa se não os números.

O que te inspira? O que ainda te faz querer estar na internet, além dos mimos, permutas e alguns poucos centavos? 

É óbvio que assim como você, eu também quero ser vista e lembrada e adoraria ganhar dinheiro com tudo isso, mas se esse for o principal objetivo, talvez a frustração venha a cavalo e a conexão, bem, a conexão fique pra outra vida.

Enquanto nada melhora nem aqui nem lá, em questões numerais mesmo e honestidade nos algorítimos, espero que a gente se mantenha conectado, compartilhando apenas aquilo que gostamos de verdade e indicando artistas e conteúdos que nos inspiram de verdade e não nessa corrida insana por likes e seguidores, que no final, a gente nem sabe se vale mesmo a pena.

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