Diariozin

#DIARIOZIN 70 - O que é que eu faço agora?

17:56:00

Ontem enquanto conversava com uma amiga e dizia minha indecisão entre começar o mestrado, aprender espanhol, entrar para o teatro ou aprender roteiro e filmagem, percebi o quanto já faz anos que essa dúvida e indecisão me acompanham. Percebi também que essa indecisão é uma constante porque se a gente vive, então a gente tá sujeito a ter medo o tempo todo de todas as nossas escolhas e decisões, por menores que sejam.

Por exemplo, eu sempre tenho medo de pedir comida em um lugar diferente e não gostar da comida e em consequência disso eu tô comendo nos mesmos lugares há anos, sem inovar apenas por medo. Essa indecisão e esse medo também me fizeram usar aparelho por 5 anos em um tratamento com uma dentista que eu sequer troquei mais do que 10 palavras em todos esses anos. O medo de escolhas erradas sempre me perseguiu, dizem que por que eu sou libriana, o que eu de fato acredito muito cegamente, mas acho também que tem a ver com o fato de que eu sempre fui muito cobrada para fazer as escolhas certas e no tempo certo.

Parte do que me lembro da minha vida toda, tem eu desesperada porque algo saiu errado e também tem eu me tratando da pior forma possível porque as coisas deram errado e eu fui inconsequente por não ter percebido isso antes. Talvez só uns bons anos de terapia já ajudassem nesse desfecho, mas tudo o que eu tenho agora é uma conta bancária que não pode nem pensar em ficar no vermelho e mais uma estrada desconhecida diante dos meus pés.

Todas as vezes que eu paro pra pensar e estou nessa situação, com um novo caminho diante dos meus olhos, muita experiência e diversos sentimentos na bagagem, me sobra muita insegurança. Me sinto a mesma menina que aos 16 decidiu fazer cursinho pré-vestibular aliado ao técnico em administração e colegial, tudo porque tinha medo de fazer escolhas erradas. Me sinto a mesma menina que decidiu qual faculdade ia cursar do alto dos seus 14 anos e que manteve a ideia fixa até concluir a faculdade aos 25 anos, depois de muitos anos e muitos débitos exorbitantes na conta. Todas as vezes que as coisas terminam e abrem espaço para novas coisas, eu nunca consigo me sentir plena e pronta para a próxima. Por mais, que o término tenha sido também uma escolha minha.

Sim, até quando eu escolho eu acho que que as coisas deram errado porque talvez se eu tivesse mais paciência, se eu fosse de um jeito x ou y, ou quem sabe se ouvisse mais meus pais e todos a minha volta. Mas peraí! Eu entro nessa espiral de pensamentos e minha racionalidade vai para o ralo. As vozes de fora parecem morar na minha cabeça e me apontar 10 dedos sujos dizendo que tudo o que eu fiz até aqui foi só um misto de decisões com escolhas erradas. Mas será mesmo?

Se eu não tivesse feito aquele cursinho pré-vestibular, jamais teria descoberto o quanto eu posso amar biologia e o quanto química e física são realmente matérias muito legais que só sofrem boicote, por exigirem demais da gente. E que história e sociologia são as coisas que eu mais amo na vida. Será que eu saberia tudo isso se não tivesse feito aquele cursinho? Do mesmo modo que, o técnico em administração, embora nunca tenha me dado um emprego, me trouxe experiências únicas e pessoas incríveis, até aprendi a falar italiano, coisa que adoro sair contando por aí, embora eu me lembre apenas meia dúzia de palavras "bellas".

Será que se eu não tivesse feito jornalismo eu seria quem eu sou hoje? Até mesmo ter trancado a faculdade por dois anos e feito um ano de publicidade me abriu caminhos que se tudo tivesse corrido o fluxo perfeito eu sequer teria cogitado que existiam. Sério, essa é outra parte louca da história da minha vida que quem sabe, um dia eu conto.

Mas enfim, você deve estar se perguntando, "E daí? O que isso muda se você mais uma vez não sabe o que fazer agora?". Bem, tá tudo bem, eu te respondo. Refletir sobre nossas escolhas é normal, assim como não saber pra onde ir ou qual a melhor escolha para agora também é. Tá tudo bem não saber o que fazer da vida de tempos em tempos, porque o que importa mesmo é que só de não saber o que fazer, a gente já ta aí fazendo uma porção de coisas que podem estar mudando a vida de muita gente.

Só o fato da gente refletir sobre essas coisas já coloca a gente firme em algum lugar indo por algum caminho, ainda que agora tudo pareça só um borrão. Ainda que nada tenha uma resposta concreta, só de passar por esse momento, por mais esse momento de decisão e escolhas e mudança de rota, só isso, já está nos transformando em pessoas que jájá descobrem o que fazer exatamente agora. Mas enquanto isso não acontece, o jeito é ir escrevendo e refletindo todo dia um pouco sobre onde essa viagem que é a vida vai nos levar, se é que vai. 

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