Diariozin

#DIARIOZIN 67 - Versos de saudade

23:26:00


As vezes eu queria conseguir lidar com as palavras como quando eu era adolescente. Queria só ligeiramente mexer as mãos pelo teclado, enquanto da minha alma pulam mananciais de poesia.


Eu queria conseguir deixar sair dos meus poros aquela arte que sempre me envolveu por inteira. As vezes eu queria voltar no tempo e ter feito algumas coisas diferentes.

Acho que transformar a paixão em profissão teve muita culpa nesse processo de afastamento entre mim e a escrita. Acho que crescer e ter enormes feridas abertas transformou minha fonte em terreno seco, semiárido, desértico. Sei lá, parece que com o tempo perdi o dom de desorganizar as ideias, a vida e o tempo nas pequenas estrofes dos meus versos que ainda confusos, eram mais certos do que uma conta matemática em um resultado exato.

Eu sei lá o que o tempo fez que consumiu minhas sílabas, deu nó nos meus sujeitos indefinidos e levou para bem longe das orações, qualquer objeto direto que fizesse algum sentido. Mas por alguma razão, eu sempre me vejo de volta. Me pego sonhando com versos bonitos que nunca mais saíram sem esforço. Me pego sentindo a alma pulsar só de pensar em formar uma frase que expresse o mais sincero sentimento que sei lá, as vezes eu escondo e as vezes, por si só, se estanca.

Acho que viver tem muito disso não é? Uma hora ter a rota traçada, mapas e bússolas indicando o caminho mais seguro e no instante seguinte perder o sinal no meio de uma floresta enquanto o tempo vira e a gente sequer tem uma capa de chuva por perto. Viver é aventura, é traçar metas que você nunca vai cumprir, pois gastou tempo cumprindo coisas que jamais imaginou viver.

Às vezes, só as vezes eu queria conseguir expressar toda essa overdose poética que acontece dentro de mim. Nas outras, eu estou tranquila, observando o tempo passar enquanto minha poesia faz do mundo um lugar melhor. Em todas elas, eu só estou tentando mostrar a mim mesma que tudo o que importa é agora e o presente. Porque o passado? Bem, parafraseando Belchior, ele é uma roupa que não nos serve mais.  

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