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#DIARIOZIN 66 - Por que desapegar pode trazer equilíbrio emocional?

18:07:00

Quem nunca parou para olhar as coisas que tinham guardadas em caixas há anos e se deparou com um passado cheio de pessoas que já não tem mais significado em nossas vidas? Ou quem nunca parou para arrumar o guarda-roupa e se viu apegado a umas peças que nunca fazem parte da rotina de "look do dia", mas que ainda assim são tão difíceis de deixar ir?

Eu sei, todo mundo já fez isso e, quem não fez, ainda vai fazer. Falo isso com a certeza de alguém que já passou por esses momentos várias vezes só esse ano. Bem, esse fim de semana foi mais um desses momentos em que toda a bagunça arquivada  no guarda-roupa e nas caixas incomoda tanto que enquanto a gente não para para dar um destino novo a ela, nada parece funcionar direito, sabe?

Então foi assim que no sábado paramos tudo o que faríamos por aqui e nos concentramos em avaliar cada peça sem apego afetivo. Tudo sendo visto apenas como "isso é útil pra mim hoje?", se a resposta era não, rapidamente ia parar na pilha de "doação", quando não, ia direto para a pilha do "essas a gente sabe que usa". Sem contar que, além disso, criamos a pilha do "isso precisa ir para o lixo" e posso afirmar, que sensação maravilhosa. Fora a rinite que atacou, por conta da poeira que algumas peças carregavam, foi um rito de passagem. 

E digo isso porque doar roupas é um ato de bondade que diz muito mais sobre nosso estado de espírito do que apenas nosso estilo mudando. Doar roupas e se desfazer de coisas que carregamos em nossa bagagem por tantos anos é um ato simbólico que nos transforma por dentro. Cada peça carrega muito mais que material tecido, ela carrega uma história e milhares de momentos bons que vivemos com ela, mas também, metaforicamente falando, já não se encaixam mais na nossa vida atual. Seja porque engordamos e já não nos serve, ou porque nos serve, mas já não nos representa. Dá pra entender esse raciocínio de doido aqui? Eu espero que sim.

Bem, o fato é que doamos mais de 50 peças e eu me desapeguei de cartinhas que guardava desde a 1ª série do fundamental. Vocês tem noção do tamanho da minha bagagem? Sim, porque as cartas eram também uma bagagem emocional que eu, por alguma razão, não deixava partir. Quantas pessoas eu arquivei em caixas, simplesmente porque pensava que ao me desfazer de sua materialidade, talvez eu me desfizesse de suas lembranças em minha jornada. Sim, o pensamento era esse e, confesso, a sensação também era essa. 

Considerando que eu tenho 26 anos, havia ali naquelas caixas, milhares de versões minhas, com as quais eu já nao me identificava, mas que eu também não libertava e deixava ir. Existiam versões de 7, 10, 15 e 20 anos. Existiam versões que se impunha limites e detonavam minha autoestima e existiam versões que acreditavam em uma sociedade que hoje me dá nojo só de lembrar. Ou seja, faltava equilíbrio emocional entre o que ali estava arquivado e o que havia dentro de mim, de fato.

Sacou? Guardei em algumas caixas versões de mim mesma que não existem mais e, tudo porque, talvez eu tivesse medo de perder essas memórias dentro de mim. Mas não,  excesso de bagagem é que poderia me atrapalhar de enxergar as coisas como elas um dia foram, de fato. Além disso, o que vivemos ficará para sempre ecoando em nossa personalidade ou no modo que encaramos um determinado problema. Ou seja, toda nossa bagagem serviu de alguma coisa, COM CERTEZA, mas deixar que ela se esvazie é também abrir espaço para que novas versões cheguem, para que novas peças de roupa ocupem novos espaços e criem, porque não, uma nova realidade. Não que a atual realidade não seja boa, mas talvez por ela ser tão boa, aquelas peças não cabiam mais nos momentos que estão por vir e por isso, deixar ir foi a melhor solução, deixar ir foi abrir espaço para o equilíbrio.


Ah, sem contar que as vezes você tem tanta coisa que não usa que acaba por não conseguir visualizar e aproveitar as coisas que tem e que adoraria usar. É quase como fazer compras, você descobre roupas que não usa há tempos e tudo porque tem aquele monte de peça que não usa impedindo sua visão. Enfim, além de toda essa simbologia e de toda essa metáfora, doar roupas e se desfazer de papéis velhos é um ato de bondade, com o próximo, com o mundo e, claro, com nós mesmos. 

E você? Qual parte de você você precisa desapegar e deixar partir? 
Bora, não pensa, só respire fundo e desate as amarras. 

Abracinho!

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