Cinema e Séries

Resenha: Elis, O Filme

13:50:00

Pôster | Divulgação

Direção: Hugo Prata
Com: Andreia Horta, Gustavo Machado, Caco Ciocler
Gênero: Cinebiografia
Data de Lançamento: 24 de novembro de 2016 (CORRE PRO CINEMA!)

SinopseA vida de Elis Regina - indiscutivelmente a maior cantora brasileira de todos os tempos, é contada nesta cinebiografia em ritmo energético e pulsante. A trendsetter cultural que sinalizou a mudança de estilos de Bossa Nova para MPB, a "pimentinha" ardente, que viveu uma vida turbulenta. Ao mesmo tempo que chocava-se com a ditadura militar no Brasil, ela lutou com seus próprios demônios pessoais.


Eu pensei em colocar mil títulos nesse texto, mas definitivamente somente "Elis" pode definir todos os sentimentos que ficaram guardados no meu peito durante tanto tempo, e agora, mais que nunca, depois de ver sua vida passar diante dos meus olhos em uma tela de cinema.

Ontem, mais uma vez a convite do Taubaté Shopping, fui assistir a uma sessão de cinema. Como eu disse, foi mais um convite, o que significa que era uma noite que tinha tudo pra ser ótima, porém normal, dentro das expectativas que um filme nos apresenta. Porém, quando se trata de Elis, a surpresa é constante desde muito antes de eu nascer.

O filme estreou ontem nos cinemas do Brasil e a sessão que fui assistir começou às 21h30. Nas primeiras cenas eu já estava emocionada e mal conseguia conter o choro. A atuação de Andreia Horta, atriz que interpretou Elis, foi tão perfeita e representou tão bem a cantora que se você já conhecia Elis ou a acompanhava, com certeza irá se sentir como eu, com ela bem diante dos seus olhos e viva. E se, por acaso, você só a conhecia de ouvir falar por aí, pelos seus pais, te garanto, você irá sair do cinema apaixonada e em êxtase. 

Gaúcha que foi tentar a vida no Rio de Janeiro, a cantora sempre lutou por seus sonhos e ideais, mas não de uma maneira clichê, como nos filmes romantizados, Elis foi além da ficção, pois sua vida foi provada nos desfechos reais. Arriscou tudo o que tinha para viver de música, errou como qualquer outro ser humano, mas sua sensibilidade e sentimento a cobraram de uma maneira que só quem consegue enxergar o mundo aos olhos de Elis conseguiria compreender. 

Elis revolucionou a história da música brasileira, foi única, feminista, esteve a frente do seu tempo, quis mudar o seu mundo e o mundo das pessoas a sua volta, dos artistas que lutavam para sobreviver durante a Ditadura.  Mas Elis também engoliu a seco o orgulho, insistiu em um casamento em ruínas, fez renuncias pelo bem de seus filhos, como mãe, lutou cada dia de sua vida para sobreviver aos gorilas da vida real. Se sacrificou diante dos militares, resistiu a massificação da música e da arte e ah, sobreviveu, renasceu e recomeçou diversas vezes. Sua luta eram os palcos, as ruas, a ditadura, mas a maior delas, era uma luta interna!

Cena do Filme | Divulgação
Dito isso, quero lhe dizer que a direção e produção do filme não deixou a desejar, a fotografia da década de 60,70 é perfeita e nos faz revisitar as cidades do Rio e de São Paulo em um passado cheio de luta e resistência. A atuação de Horta nos faz sentir Elis, nos faz provar seus sentimentos e angústias e nos coloca o tempo todo em questionamentos sobre a vida, a arte e as formas de resistência à censura, ao governo e a tudo que vai contra nossos princípios e valores.

Me perguntei inúmeras vezes ao longo do filme "Porque o mundo engole pessoas como Elis?", me questionei ao ver sua vida desmoronando, me questionei ao ver pelos olhos da atriz, os olhos dela cheios de angústia e incompreensão. Me questionei como César Camargo Mariano (Caco Ciocler) "O que você quer da vida Elis?", "Você não tem inimigos aqui! Onde você vê essa gente contra você?".... Me irritei como Ronaldo Boscôli (Gustavo Machado) "Você precisa parar Elis!" e me irritei com ele, principalmente, pela sua prepotência de homem da década de 50, 60.

Mas me emocionei e chorei com a alma os sentimentos de Elis e também sua história.

Elis (MARAVILHOSA) Regina, a "pimentinha" da Música Popular Brasileira
Se você, mesmo depois de ler esse texto ainda achar que não vale a pena, eu te proponho a ouvir uns discos de Elis e refletir sobre suas letras, considerando o cenário que ela viveu, a época que ela defendeu a arte e a música e, mais que isso, te convido a compreender, através dela, o poder de revolução que a música carrega consigo. São anos de revolução, anos de sentimentos e angústias, anos de resistência que só a sensibilidade de Elis foi capaz de eternizar em uma melodia.

Assiste o trailer:


Obrigada Elis, porque você vive! Obrigada Elis, porque você mudou a história como sonhava. Obrigada Elis, por nos deixar tantas vozes incríveis e por permitir que o mundo alcançasse seus sentimentos pela sua voz.

Por fim, obrigada Taubaté Shopping por me oferecer uma noite de tanto sentimento.

E quanto a você, Brasil, a nossa esperança aqui continua "equilibrista", mas com a certeza de que o show de todo artista tem que continuar!


Abracinho!

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