Contos e Crônicas

Menino do Rio - O nascimento de Fernando

15:50:00

             

              Era 14 de fevereiro de 1952 e, em uma casa simples do Rio de Janeiro, Eva, nascida em uma família rígida e problemática, daria luz a seu primeiro filho. O tempo, como de costume, estava muito quente nas terras cariocas e o Sol lá fora anunciava a chegada de Fernando, um pequeno menino que viveria grandes histórias de uma vida que já nasceu rejeitada.
           Eva era uma mulher geniosa e desde muito cedo aprendeu a odiar tudo aquilo que lhe lembrava o passado e também suas próprias imperfeições. Infelizmente, Fernando, sem sequer imaginar ou ter culpa, sentiria na pele todo o ódio nutrido por tantos anos.
              O nascimento, aquele momento que deveria ser especial na vida de uma mulher que dá a luz, era para Eva o maior tormento de sua vida até ali e tudo o que ela conseguia pensar era que odiava o fato de ser mãe e mais ainda, daquele amor que tanto a maltratara gerar um fruto que seria um peso eterno em sua vida. Fernando nasceu um garoto robusto e cheio de saúde, olhos, mãos, pernas e pulmões em plena perfeição, mas em uma história cheia de machucados e marcas. 
               Um tempo se passou e ainda sem entender muitas coisas, mas já espertinho o suficiente para sentar-se sozinho e até balbuciar algumas palavras, Eva cansou-se, desistiu de tentar aceitar aquele menino para sí e resolveu que o melhor a fazer seria entregá-lo para outra pessoa. 
               A pessoa escolhida era Laura, irmã mais nova de Eva, casada recentemente com João, e que não podia ter filhos. A ideia parecia tão genial na mente de ambas que logo fizeram "negócio" e deram a Fernando um novo lar. Aqui abro uma brecha para dizer que eu sei que a história parece estar passando rápido demais, mas é só para que você consiga acompanhar os fatos conforme eles realmente aconteceram..
          Com a mudança precoce, Fernando passou a conviver com a nova família, onde em seus primeiros meses de vida, talvez, assim mesmo sem muita certeza, talvez ele tenha vivenciado o amor de uma mãe e também, de um pai, aquele homem careca e de bigodes, que no futuro seria alguém muito importante na vida do moleque carioca que mal havia completado seu primeiro ano.


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