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#DIARIOZIN 55 - Uma década de debutante

23:34:00

Esse ano faz dez anos que completei meus tão esperados quinze anos e essa crise do "um quarto de vida" está me assombrando faz uns meses, então porque não dividi-la com vocês? Afinal para que serve um blog, senão para substituir a grana e as horas com a terapia?



(...) Quando completei quinze anos, eu era uma garota tão, mas tão completamente diferente da qual sou hoje, que me olho no espelho me encarando fixamente nos olhos e me pergunto se foi uma questão de sorte e onde foi parar aquela Renatinha dos cabelos cacheados e dos sonhos impossíveis. Enquanto me encaro, confesso uma certa frustração e relembro meus desejos e anseios de adolescente, recordo os momentos em que me perdia em meio as histórias fictícias dos meu autores favoritos e também dos momentos em que eu desejava que minha história se misturasse com a literatura e chegasse a um final feliz. 

A frustração me abraça sempre quando olho para trás. O passado nunca foi meu amigo, com ele briguei, me irritei e tantas e tantas vezes me decepcionei, afinal quando olho para ele é que percebo como seria minha vida idealizada há dez anos e o quão longe de alcançá-la, eu estou. Quando recordo dos meus sonhos para meu aniversário de vinte e cinco anos, eu me lembro que acreditava em tantas coisas e tinha tanto pudor, tanto respeito, tanto anseio, tantas respostas e hoje o que me resta são apenas perguntas.

Afinal é na adolescência que a gente sempre acha que sabe de tudo. 

Acho que nunca me dei bem com o passado, porque sempre fui daquelas que prefere se arrepender de tudo o que fez e quantos arrependimentos carrego no bolso e na bagagem. Aos quinze anos tive minha primeira decepção amorosa real, tive meu primeiro namoro, tive meu primeiro término e com isso, também tive meus primeiros aprendizados no quesito relacionar-se com os outros. Aos quinze anos aprendi que amor precisa ser recíproco, que cafuné é uma coisa deliciosa, que beijos apaixonados são os melhores e que a gente sempre tem medo de passar dos limites e ser pego pelos nossos pais. 

Nunca passei dos limites, aos quinzes anos. 

Mas, foi aos quinze que descobri o que queria ser quando crescer, foi aos quinze que descobri que queria mudar o mundo, que um desejo enorme de mudar a vidas das pessoas surgiu no meu coração. 

Bem, dez anos se passaram e muita coisa mudou, outras tantas continuaram intactas e sobrevivem ao tempo e às frustrações. Foram nos últimos dez anos que aprendi que amores vem e vão, que nem sempre um "eu te amo" significa amor de verdade e, digo mais, dizer eu te amo é a coisa mais fácil desse mundo. Foram nesses dez anos que descobri a verdade da frase "ninguém morre de amor", mas todo mundo pensa que vai morrer. 

Hoje dez anos depois, o drama adolescente inverteu e quem achava que tinha todas as respostas da vida, descobriu que tem, na verdade, mais perguntas do que achou que um dia teria. Hoje, enxergo os adolescentes de quinze anos, muito mais novos do que me achava naquela época. 

Chega a ser engraçado o quanto a gente pode mudar em uma década.

Foi, também, ao longo desses dez anos que aprendi que nem todo mundo se importa, mesmo que seja importante de verdade. Aprendi que as pessoas não precisam saber de tudo, que a vida é muito frágil para guardar rancores ou mágoas. Eu aprendi, de verdade, o que é sofrer. Mas de tudo, muitos aprendizados foram bons. Aprendi que viajar é a sensação mais libertadora que existe, que caminhar em volta do mar de madrugada pode ser revigorante e que só um pequeno grupo de amigos e um violão podem nos proporcionar a melhor noite de nossas vidas.

Em dez anos eu aprendi que a vida não vai seguir um roteiro de filme, mas vai ser mais surpreendente que todos nossos planos juntos. Que amar e ser correspondido é o sentimento mais nobre, que conquistar um diploma, seja do ensino médio ou superior, é uma sensação de missão cumprida. Mas que fazer uso dessa conquista é ainda melhor. 

Em dez anos eu tive depressão, síndrome do pânico, tristeza, e experimentei na pele o que é olhar no espelho e odiar a imagem que reflete. Mas foi em dez anos que eu aprendi a olhar mais pra mim mesma, aprendi que o egoísmo nem sempre é ruim e que pensar em você é o primeiro passo para conquistar a vida dos seus sonhos.

Bem, eu não sou mais debutante, mas posso te garantir que os dramas adolescentes nunca se vão de verdade, eles apenas mudam de roupa e continuarão a nos assombrar por mais dez, vinte, trinta anos. Afinal, é com elas que as melhores fases da nossa vida acontecem e tudo isso para que possamos sempre nos descobrir mais um pouco.

E enfim, nesses dez anos me descobri mais mulher do que pensei que fosse, me descobri mais adulta e cheia de responsabilidades, me descobri mais sensível e mais tolerante também, me tornei tudo isso sem nem contar o passar dos anos e, principalmente, descobri que ainda tenho muito o que aprender e que nunca terei respostas para tudo.


Hoje continuo cheia de de perguntas, contas e números que me tiram o sono, cheia de indecisões sobre o futuro, mas apesar de tudo gosto bastante de quem me tornei, muito embora, sinta muitas saudades de quem eu costumava ser. Mas a graça da vida é essa, não ter roteiros, não seguir scripts e quem sabe mais dez anos me ajudarão a recomeçar e construir esse futuro incerto, mas bonito.


E você? Está enfrentando alguma crise? Me conta, vou adorar saber que não estou sozinha. <3 p="">

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1 Comentários

  1. Mto bom seu texto!
    Faço 25 anos em breve, e o fantasma do um quarto de século percorrido já me assusta...
    Curioso como as coisas mudam, e com o passar dos anos, vemos que não sabemos nada daquilo que achávamos ao 15, que sabia...
    Grande abraço!

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