Contos e Crônicas

O Diário de Um Foca Frustrado - O dias seguintes e o trabalho estressante

01:36:00


Eu acho que vou me demitir, da redação e da vida. Sério cara, quantas vezes eu já vim até aqui reclamar da vida que tenho levado e do meu trabalho de merda? Acho que nem dá pra fazer essa conta, porque simplesmente tudo o que eu faço nos últimos meses é reclamar.
Estava lendo aqui o dia que me encontrei com a Paulinha e que ela veio em casa e até disso, um fato extremamente esperado na minha vidinha de merda, eu reclamei.

É claro que eu fui um moleque bundão quando ela me beijou, mas e dai? Eu não sei o que aquela mulher tem, fazer o que se ela me deixa assim? Eu confesso que eu fiquei remoendo por dias essa sensação de ser um bosta, além de ficar rezando para nunca mais encontrá-la nas coletivas de impressa e tudo o mais, mas depois de uns dias eu consegui superar e seguir em frente.

Bem, na verdade, eu fui obrigado pela vida a seguir em frente, afinal algumas semanas depois do nosso desastroso encontro meu telefone tocou e na tela o tão temido nome "Paulinha" apareceu, já era a oitava vez em três semanas que ela, insistentemente, me ligava sem que eu sequer conseguisse rejeitar a ligação. Eu simplesmente ficava lá, paradão com o celular na mão olhando para a tela enquanto o celular vibrava até cair na caixa postal.

Até que nesse dia, como em um impulso, eu atendi o telefone. Ela levou até susto quando ouviu minha voz de quem estava acordado há três dias a base de café para finalmente entregar os jobs a tempo, antes que meu editor me matasse. A conversa foi tão tosca que vou transcrevê-la aqui, se liga que foi mais ou menos assim:

Paulinha: "Atende, atende, aten... Nossa, Oi (meu nome aqui), caramba achei que você tivesse se mudado para o Alasca e que tinha esquecido o celular em casa"

Eu: "Ah, oi, quem fala?" (sim, eu fui idiota e fingi que não tinha mais o número dela salvo na minha agenda)

Paulinha: "Caramba, você não tem nem meu número mais? Acho que meu beijo encerrou com todo encanto que eu acreditava que existia entre nós".

Eu: (silêncio, pensando no que eu estava fazendo com a minha vida que não conseguia agir feito um homem de verdade)

Paulinha: "Ah, deixa pra lá, você deve estar muito ocupado pra conversar agora, então outra hora nos falamos..."

Eu: "Espera! Não! Não desliga não, eu estava com saudades e para de pensar bobagens ai, eu só ando trabalhando demais, mas seria ótimo se conseguissemos nos ver qualquer dia desses, nem que seja para um café na padaria". (Encerrei a frase quase que sem ar, nem acreditei que consegui falar alguma coisa que fizesse sentido)

Paulinha: "Nossa, eu adoraria te ver de novo, também estou com saudades, principalmente daquele jantar, mas eu aceito o café de padaria"

Eu: "Então combinado, assim que rolar uma folga da redação eu te aviso e nos encontramos ta? E ei, me desculpa o sumiço!" (pedi desculpas rezando pra que ela dissesse que viria correndo só pra me ver por cinco minutinhos)

Paulinha: "Combinado, beijos"

Eu: "Paulinha, espera, você quer vir aqui...." TU TU TU (não deu tempo, a hora que fui agir por impulso, a ligação já havia sido encerrada)

Pronto, agora que já leu essa conversa idiota, já pode rir da minha cara e da minha sorte. Eu juntei toda minha coragem, que já não é muita, e quando eu finalmente vou propor algo espontâneo, ela se despede e desliga na minha cara. Nossa senhora protetora dos focas dos relacionamentos viu!

Bem, meu querido diário (soa clichê, eu sei), essa ligação me devolveu um pouco o ânimo e conversar com a Paulinha me transmitia tanta paz que não faço ideia em que momento os sentimentos mudaram dentro de mim. O que eu sei é que preciso urgentemente de uma folga para tomar aquele café e ser eu mesmo com ela, talvez assim ela perceba o quanto eu a considero especial.

Por enquanto, como eu ia te contando sobre o trabalho e a profissão, já conclui metade dos textos que preciso entregar no final desse mês e consegui um elogio do meu chefe idiota, mas mesmo assim, mesmo que as coisas estejam fluindo, eu ainda me sinto um pouco frustrado. Vai saber, talvez seja o peso da vida adulta, talvez seja a saudade de morar com meus pais e não precisar lavar roupas ou talvez, seja meu eu sonhador lutando pra sobreviver no meu emprego "dos sonhos de muita gente". Sei que tenho sorte por estar onde estou, mas tudo o que eu gostaria era de estar em qualquer outro lugar do mundo, onde eu soubesse que meus textos valem a pena e que tocam a vida de alguém.

E eu sei que você não é uma pessoa, mas de alguma forma eu sinto que quando molho seu papel com a tinta da minha caneta você absorve amorosamente meus sentimentos e alivia meus pensamentos negativos. Então, obrigada por ser o refúgio da minha literatura e por mantê-la viva de alguma forma.

Até uma próxima, espero que com boas notícias, da vida, do trabalho e, principalmente, do encontro no café.

Atenciosamente,
Aquele foca frustrado de sempre.

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2 Comentários

  1. Tenho certeza de que o café seria mais bem-vindo se tivesse sido proposto antes.
    Adorei a forma como você escreveu este texto, muito real devo dizer, e rico em detalhes!
    Um grande abraço!

    Identidade Aleatória

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    Respostas
    1. Hey A.C. Muito obrigada pelo comentário e pelo elogio, volte sempre aqui!!! O Foca ainda tem muita história pra contar!!!!

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