Contos e Crônicas

As Aventuras do Corsa 95 - Parte III

21:53:00


O inverno começava e o Corsa 95 que estava cansado de dar problemas para Betinha, resolveu tirar uma folga e parar de funcionar de vez, afinal 2015 não estava sendo um de seus melhores anos e, em quase todos os feriados, o pobre carrinho estava fadado a passar dentro da garagem ou parando na estrada.

Os planos de Tom era sair por ai, desbravando cidades e conhecendo novas pessoas, mas o Corsa 95, ainda que cheio de desejos, estava cansado de forçar sua bateria e suas correias a funcionar. Tom estava de saco cheio, pois o carrinho nunca mais foi o mesmo depois do primeiro problema que deu no início do ano.

Um problema atrás do outro, mas Betinha nem pensava em trocar de carro, pois não a toa, o Corsa 95 era seu companheiro de viagens há um bom tempo e ela sabia que de todos os donos que ele tivera, ela era a preferida. Por essa razão, se fosse preciso trocar a bateria, o motor, as correias e tudo o que fosse necessário para trazer a alegria do Corsinha de volta, Betinha estava disposta a fazer.

Tom nunca entendeu muito bem essa relação com o carro velho, mas no fundo sabia que ele era especial e presenciou muitos momentos importantes de sua vida e de seus amigos.

Com o resguardo do Corsinha, Tom estava justamente a recordar dos melhores momentos e a saudade maior era da viagem ao Rio de Janeiro. Naquela época, o Corsinha era só felicidade, carregando 5 jovens que esbajavam alegria de viver e por conhecer a cidade maravilhosa. Foram passeios por Copacabana, Ipanema, Botafogo e até pelos lugares mais improváveis onde o Corsa, inclusive, levou uma multa de volta para a sua cidade.

Todas os imprevistos naquela viagem valeram a pena, pois ensinaram a Tom e ao Corsa que o medo não pode impedi-los de viver grandes momentos, ainda que sejam inéditos e inexperientes. A viagem já completava mais de um ano, mas o Corsa, Tom e seus amigos ainda guardavam saudades e boas lembranças daquela que teria sido uma das últimas longas viagens com o amigo Corsa.

Enquanto saudosamente Tom recordava seus momentos com o carrinho, o carrinho dentro da garagem pensava as inúmeras cidades, pessoas e lugares que ainda desejava conhecer. Esses pensamentos se uniam paralelamente a um espaço acima da matéria para criar forças e restaurar as energias do garotão, que embora ainda tivesse 20 anos de vida, precisava de uma boa revitalização para continuar a viver por entre Betinha, Tom e seus amigos.

O que será de 2015 e do Corsa, ainda não sabemos, mas sabemos que um carrinho como ele transporta muito mais que pessoas, transporta sentimentos e momentos únicos de uma galera que tá sempre tentando encontrar a sí mesma.

A lição que ficava era que amigos eram amigos, até mesmo quando o Corsa não saia da garagem.

Você pode gostar também de:

0 Comentários