Contos e Crônicas

O Diário de um Foca Frustrado - Paulinha

10:27:00



Cara, eu sei que eu tô sumido, sei que não voltei aqui desde a minha folga, mas também me dá dois descontos, porque eu ainda estou me recuperando do encontro com a Paulinha e na redação estão me sugando a alma. Tenho escrito tanto que só de pensar em escrever aqui, me dá uma preguiça.

Mas enfim, cara eu nunca imaginei que um dia nessa vida eu conseguiria um encontro com a Paulinha de novo, não depois de passar anos na faculdade fugindo daquela menina, mas cá entre nós, eu tinha meus motivos, eu nunca gostei de mulheres mais novas e ainda mais do tipo da Paulinha, daquelas jornalistas sérias e que não curtem cerveja no boteco.

É foda pensar que eu relutei tanto para não conhecê-la de verdade e agora cá estou com a cabeça aos nós de tanto pensar nas possibilidades.

Cara, ela veio até a minha casa, eu cozinhei para ela, nós assistimos um filme juntos e cara eu não sei o que aconteceu comigo, mas eu fiquei imóvel, tipo durão mesmo, sem saber como agir. Eu não acredito que ela estava do meu lado, no mesmo sofá que eu, quase se atirando em meus braços e tudo o que eu consegui fazer foi esboçar um sorriso sem graça.

Ela poderia ser só mais uma foda, ela poderia ser qualquer uma ali, eu saberia exatamente o que fazer, eu não deixaria ela escapar. Mas eu não sei o que aconteceu comigo cara, eu não conseguia reagir e quer saber do pior? Ela me beijou!

Você tem noção que ela segurou meu rosto, como se eu fosse uma menininha assustada para dar seu primeiro beijo, e me beijou tão suavemente que eu quase comecei a tremer. Graças a Deus esse autocontrole eu ainda tenho, porque seria uma vergonha me mijar todo só por beijar uma mulher.

Eu deveria estar feliz?? Sim eu deveria, mas não estou.

Estou envergonhado, fugindo dela e me escondendo entre os colegas quando tem coletiva de imprensa e eu sei que ela vai estar lá. Hoje, só hoje tinha duas ligações perdidas, um e-mail e uma mensagem me perguntando se estava tudo bem.

NÃO!!! NÃO ESTÁ NADA BEM!!!!

Meu Deus, que raio de homem ela deve pensar que eu sou? Inerte feito um menino babão em frente a musa do carnaval 2015. Cara, quando ela deixou de ser a Paulinha, a menina que eu nunca daria uma chance, e passou a ser a Paulinha, a mulher que eu penso todas as noites e com a qual não consigo lidar?

Eu só queria me esquecer daquele vestido colado que ela usou aquela noite, queria me esquecer que eu não consegui desgrudar minhas mãos da cintura dela pra nada, que a nossa noite não passou de uma noite de adolescentes com beijinhos envergonhados e sensações de "será que eu posso passar meu braço em volta do seu pescoço enquanto vemos o filme"? O que aconteceu comigo cara?

Eu acho que estava muito acostumado com a vida solitária e ela me enlaçou com seu jeito adulto de quem parece me cuidar.

Eu não sei cara, eu não sei.

Sei que tenho dezenas de textos acumulados, um chefe que nunca vai deixar de ser um mala e tudo o que eu consigo pensar é como eu  vou responder esse e-mail e anteder essas ligações sem parecer novamente um foca dos relacionamentos.

Eu não sei, mas agora preciso ir que o café já esfriou e eu preciso voltar para aquela matéria sobre as bocas de lobo que entupiram no centro da cidade.
Atenciosamente,

Aquele foca frustrado de sempre.

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