Contos e Crônicas

Paulinha e minha desistência do amor - Diário de um Foca Frustrado

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Nem preciso dizer que a Paulinha ainda me acha o mesmo idiota da época da faculdade? Claro, também não seria em apenas 6 meses de formado que eu me daria o luxo de convencê-la do contrário, ainda mais com meus plantões sempre atrapalhando tudo. Mas quer saber? Também não quero mais. Minha vida sozinho anda sendo bem mais produtiva do que com a companhia de alguém, uma mulher agora até estragaria minha minúscula partícula de paz.

Já pensou chegar em casa e ter alguém reclamando que eu deixei a toalha molhada em cima da cama, que eu não lavo minhas cuecas há semanas e que preciso fazer a barba? Eu não aguentaria tanto e além de tudo, as mulheres nos dias atuais são muita areia para meu bloquinho de anotações acompanhar, então prefiro a minha companheira gelada de sempre.

Antes que você se pegue pensando no quanto devo ser um alcoólatra, já te adianto que não, isso foi algo que aprendi na faculdade e decidi manter, porque faz com que eu durma melhor e como café é algo que eu consumo muito, dormir não é algo que eu faça com certa facilidade.

Mas vamos falar do que interessa, mais uma vez as novinhas não param de me telefonar e me achar o máximo só porque trabalho em uma emissora grande e conhecida e apesar de ter passado minha vida toda pensando que eu iria adorar essa "fama" de jornalista de emissora conhecida, eu definitivamente não ando com paciência para tietagem. E mais, cara, alguém avisa elas que eu queria mesmo era uma chance com a Paulinha e já que não tive, é melhor se manterem longe de mim, porque não sou tão legal quanto meu instagram diz que sou.

Na verdade, se alguém quiser saber como eu sou chato de verdade, é só ler você. Aqui é o lugar onde eu mais sou honesto e falo tudo o que penso, afinal, diários sempre foram meu refúgio do mundo desde que eu tinha o que? Sete, oito anos de idade...

Mas enfim, filosofias de vida à parte...

Hoje foi mais um dia estressante, o chefe parece ter dormido de calça e todas as vezes que ele me vê esboçar um sorriso de felicidade com a pauta que me deu, o desgraçado resolve voltar a atrás e me mandar ir cobrir enchente. Eu já estou um perito em enchentes na favelinha e porra, a prefeitura podia ajudar também, não aguento mais aquele lugar estragando minhas roupas com tanta água suja.

E sim, hoje sim é um daqueles dias que me pergunto o que me levou a escolher o jornalismo. Eu não ando conseguindo nem salvar mais a mim mesmo, onde estava com a cabeça? Eu deveria ter seguido os conselhos do meu pai e usar minha inteligência para prestar um concurso. Ia ser tão divertido chegar em casa sempre às 18h, ter convênio médico, pagar o INSS e no futuro aposentar sendo um velhinho feliz e não um rabugento que já sou aos 25 anos.

MAS O QUE EU FIZ?

Fui querer ir nessa ideia insana de seguir o coração, de fazer aquilo que amo e não aquilo que me daria dinheiro e estabilidade e cá estou eu, em uma boa posição até, recém-formado e com emprego dos sonhos, mas frustrado. E quando eu digo frustrado, quero dizer no sentido mais puro da palavra, eu realmente me frustrei com tantas expectativas ingênuas da profissão.

Mas cara, honestamente? Não há nada que me encante mais do que o jornalismo. Amor de pica sabe? Quanto mais o jornalismo me fode, mas eu me apego a esse puto. E vai entender, jornalista é um bicho insano e é essa constatação que me faz esquecer todos os foras da Paulinha, todos os plantões em feriados e claro, as enchentes na favelinha.

Eu realmente nunca imaginei ter uma vida tão do avesso e cheia de ação como essa que eu tenho levado, mas fazer o que, talvez seja essa a graça da coisa.

Ps: ainda não ganhei aquela folga.

Atenciosamente,

Aquele foca frustrado de sempre.

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