Vida e Cotidiano

Coloque-se no seu lugar!

02:04:00


Houve um tempo em minha vida em que realmente cheguei acreditar precisar de algumas pessoas para sobreviver a esse mundo maluco. Eu realmente acreditava que ter determinadas pessoas me fazia mais forte, mais especial para enfrentar os problemas. Esse tempo chegou ao fim quando eu me dei conta de que ninguém é por mim, além de mim mesma e alguns poucos e bons, como minha mãe sempre gostava de enfatizar. Eu queria acreditar que ela estava errada, mas as mães têm o dom para acertar até nas coisas mais improváveis e pra mim aquilo era exatamente impossível.

Eu me lembro da primeira vez que partiram meu coração, eu me sentei no chão do quarto, calcinha e sutiã e o colo encharcado pelas lágrimas que eram incontroláveis. Eu sempre fui intensa demais, mas naquele dia bati o recorde de intesidade e tudo porque tinha em minhas mãos um belo coração estilhaçado.

Eu acreditava cegamente que jamais viveria daquele dia em diante como era antes daquela decepção. Eu acreditava que eu nunca mais encararia o mundo com os olhos encantados, mas graças a Deus mais uma vez minha mãe estava certa.

"Ninguém morre de amor!"

E mais tarde eu descobri que nem de amizade.

Amizades vão morrer, mas nenhum de nós será morto por elas, exceto é claro que ela seja portadora de uma pistola calibre 36, ai a gente corre o risco de morrer, fora isso é tudo balela.

Eu acreditava cegamente em amizades sinceras e eternas até o dia que centésimo amigo partiu meu coração. Eu sempre esperei demais das pessoas e acreditava cegamente que elas poderiam ser para mim aquilo que eu gostaria de ser para elas.

Fui tola muitas vezes, em outras tantas aprendi a ser amiga do silêncio, mas um belo dia falhei. Falei mais do que devia e fui tratada como louca, foram além de expor os pedaços do meu coração, traíram minhas expectativas.

Traíram tudo o que eu acreditava ser uma amizade e talvez daquele dia em diante eu passei a pensar mais no assunto, além de apenas vivê-lo.

Parei naquela noite de verão, onde o calor já me impedia de dormir em paz, para pensar nas inúmeras vezes que partiram e que partiram também meu coração. Parece cômico pensar que as pessoas não aceitam serem magoadas, mas magoam a todo instante sem nem sequer perceber.

Eu sempre fui o tipo de pessoa tola que se coloca no lugar das pessoas, mas naquela noite eu resolvera colocar-me apenas em meu lugar e permitir-me sentir todo amargo da decepção até o fim.

Olha, posso não ter me curado das loucuras das quais fui acusada, mas posso garantir que permitir que a decepção aconteça até sua última gota é a melhor forma de deixar algumas perdas irem definitivamente embora!

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