Contos e Crônicas

Um encontro no café

10:00:00


Ela estava apenas tomando seu café e pedindo a Deus que aquele dia tivesse logo um fim. Foi quando ele chegou, ele não a viu mas ela conseguia analisar cada gesto seu. Aquele sorriso largo e meio envergonhado não podia enganar, era ele que tinha ido embora de há anos e agora estava ali parado bem a sua frente pedindo um café sem açucar, porque ele vivia lutando contra a diabete.


Ela não conseguiu ter reação e quando viu ele já tinha percebido seu olhar fixado em cima dele. Carolina corou, e logo se recompôs voltando a folhear o livro que estava em suas mãos, mas ainda assim ele se aproximou e acho até que sentiu o calor que saia de suas bochechas  que queimavam de tanta vergonha.



Ah, ele sempre atrevido puxou a cadeira e sentou-se sem ao menos pedir licença. 



Ele estava ali sentado diante dos seus olhos e ela não conseguia falar nada, apenas olhava para aqueles olhos verdes que sempre gostaram de encará-la. 
"Meu Deus, eu só queria que aquele dia acabasse e o Senhor me manda logo ele?" ela pensava enquanto ele tomava o seu café, sentado ali a sua frente.



Depois de alguns instantes sem saber o que fazer, Carol resolveu ser debochada e perguntou:



-  Ei moço bonito, será que você não percebeu que tem gente sentada nessa mesa?



(falou isso, rezando pra que ele a respondesse com carinho, como sempre)



Ele apenas a fitou e sorriu e como quem nada quer pegou sua mão e sussurou bem baixinho:



-  Pensei que esta mesa sempre estivesse reservada pra mim.



Novamente Carolina sentiu suas bochechas queimarem e sem saber o que falar, pegou uma caneta dentro da bolsa, um bloco de notas e escreveu em um bilhete:



 



"Talvez a mesa não estivesse reservada pra você, mas eu sempre tive certeza que você viria. Senti sua falta, me liga para tomarmos mais um café, como nos velhos tempos.



Ps: ainda te amo menino mal-criado!"



 



Carolina respirou fundo e entregou o bilhete em suas mãos e antes que ele pudesse reagir, saiu correndo deixando apenas o dinheiro do café e aquele gosto de saudade.



 


Continua...

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2 Comentários

  1. Eu tenho certar raiva/admiração por esses amores que ressurgem e ninguém deixa ele acontecer de primeira. Obrigado pela sensação de saudades que você causou com esse texto. Coisa linda

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  2. Acho que o medo as vezes fala mais alto nessas circunstâncias... obrigada você por "me ler"! ;)

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