Contos e Crônicas

Uma manhã de natal

16:35:00

       


         Era final de ano e todos seus amigos costumavam viajar ou se reunir em torno de uma fogueira para contar histórias ou cantar ao som de um violão desafinado.

                Aquele fim era diferente dos últimos três anos, pois ele estava realizado, de certa forma, com sua sorte na vida. A maré de azar havia baixado tanto, que parecia que Murphy havia cessado suas teorias e resolvera dar-lhe uma chance de se encontrar novamente.

                Tom estava com 27 anos e não se sentia o mesmo de antes, nem de longe. Suas lutas diárias pareciam ainda maiores e sua briga interna para ser quem costumava ser estava mais cansativa que nunca.

                Na manhã de Natal, mais decidido que nunca, Tom se levantou disposto a voltar a falar com ela, disposto a jogar tudo para o alto e lhe dizer o que sentia. Tom se manteve forte o caminho todo, percorrer aquelas ruas era o mesmo que percorrer corredores esquecidos dentro de sua memória. Cada canto daquela cidade tinha um pouco do perfume dela e carregava, também, grandes pedaços de sua história juntos.

                A rua cheia de árvores e aquele jardim florido e decorado com luzes natalinas era um sinal de ele havia chegado. A casa de número 29 fez seu coração quase saltar pela boca.

                Tom havia se mantido forte durante todo o caminho, mas mesmo com a vista ruim e sem seus óculos, naquela manhã de Natal, era impossível confundi-la com outra pessoa.

                Um sorriso tímido e um olhar, que espontaneamente lhe chamavam de bobo, abriram a porta para Tom. Suas mãos macias ainda seguravam a maçaneta quando ela o olhou surpresa e quase saltou em sua direção, mas se conteve.

                Eu que sempre os acompanhava de longe, dessa vez conseguia ouvir seus corações pulsarem em uma mesma sintonia. Aqueles segundos em silêncio demonstravam anos de espera, anos que se deixaram levar pelo orgulho e pelo medo.

                Ele engoliu a seco e sorriu, aquele sorriso bobo franzindo os olhos de vergonha e ela se soltou e correu para abraçá-lo.

                Naquela manhã de Natal, na rua mais bonita da cidade, aquele garoto de 27 anos voltou a sentir seu sangue correr nas veias e, como num passe de mágica, o beijo celado entre eles trouxe novamente àquela cidade o significado do amor.

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