Contos e Crônicas

Era doze de junho...

07:39:00



Era doze de junho de mais um ano de turbilhões de sentimentos e acontecimentos e já que eu não podia gritar aos quatro cantos, falava-lhe ao pé do ouvido.

Era doze de junho e era ano de copa, dia da estréia do país no mundial e quem se importava com o futebol quando tinha aquele sorriso que fazia gol de letra em meu coração?

As frases clichês são inevitáveis quando se esta apaixonando-se, ainda mais quando é a mesma pessoa dos últimos 365 dias.

Os dias comuns era mais comemorados que os dias com data marcada e acho que ali encontrava-se a sacralidade de tudo.

Era doze de junho e quem se importava? Afinal, celebrávamos o amor todos os dias secretamente.

Nosso amor era crime, mas nossa verdade era absoluta.

Era doze de junho, dia de conhecer os amores de outros, dia de ouvir piadas e declarações. Mas para nós as promessas eram sussurradas ao ouvido, faladas em tom baixo para não espantar ninguém.

Amor é uma coisa engraçada que quando invade a gente, revira tudo né?

Mas acho que ela veio pra arrumar a bagunça do meu coração poético, veio botar ordem na casa e dizer “aqui só poesia e meu sorriso prevalecem”. Achei fofo e quis ficar por mais um tempo naquela paz...

Era nosso primeiro doze de junho e juro queria pichar muros e escrever em calçadas o que seu amor fazia por mim, o quanto era remédio para os meus dias de melancolia.

Ao invés disso, sussurrava.

Quando você amadurece entende que as condições que a vida lhe dá nem sempre são as mais sonhadas, mas se aquilo é tudo o que você tem então aquelas condições são as melhores.

Não importa se há solidão ou presença, nossa sacralidade pode estar em pichações nos muros ou em sussurros ao pé do ouvido.

No dia doze de junho, os românticos podem escolher seus gestos e não justificá-los.

Eu escolhi eternizá-la em mais um texto em um dia comum.



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