Diariozin

#DIARIOZIN 45 - Primeira Sessão

15:04:00


Comecei a terapia e tive minha primeira sessão ontem.

Entrei na sala, psicólogo com o sorriso acolhedor e o ambiente também, me agradou muito aquele ar de “sala de apartamento da casa dos meus sonhos” e aquela conversa também.

Por que preciso de uma “ajudinha” pra encarar esse momento hoje?

Porque a sessão me fez voltar no tempo e rever muitas mágoas que eu realmente pensei estarem cicatrizadas, claro que a primeira sessão ainda não me diz nada sobre o que esta acontecendo de fato comigo.

O fato que eu sei no momento é que perdi a vontade. Não! Não pretendo cortar os pulsos e nem acredito não ter motivos mais para viver, muito pelo contrário, acho que a minha vontade de viver é o que me faz estar aqui ainda hoje.

Não sei quando isso começou a acontecer, mas meu brilho nos olhos esta mais apagado do que o Brasil naquele ano de 2009 com o apagão.

Não sei exatamente até onde essa iniciativa de compartilhar minhas sessões com vocês vai me levar, mas sei que sinto aqui dentro que algo será bom pra mim.

Eu sempre amei escrever e hoje é uma das coisas que menos tenho vontade de fazer, afinal do que é que eu ando tendo vontade mesmo? Ah é, dormir.

Todos os dias quando eu abro os olhos eu penso em 10 motivos pra fechá-los novamente e dormir mais, mas alguma coisa ainda me diz pra levantar da cama e ir em frente. Pode ser Deus, pode ser a Renata de 18 anos cheia de vontade de vida..eu não sei, sei que tenho só 23 anos e um corpo e uma mente extremamente cansados.

Foi a segunda vez na vida que entrei em um consultório de psicologia e confesso que a sensação foi praticamente a mesma. Me senti aquela menina de 6 anos que só aceitou conversar com o psicólogo, porque ele prometeu que ela poderia brincar naquela casa de boneca gigante. Ela nunca brincou.

Conversar com o psicólogo aos 6 anos de idade me pareceu bem menos dolorido do que hoje aos 23, mas tenho certeza que se ambos psicólogos se encontrassem definiriam a mesma pessoa: intensa, muitas emoções misturadas, nova demais para estar tão agitada de uma maneira negativa.

Abri meu coração.

Me entreguei aquele sofá e revivi em 50 minutos os piores anos da minha vida.

Por fim, uma prévia: isso é um grau de depressão.

Por que eu estou te contando isso agora? Porque sinto que precisava escrever sobre isso e que mais que isso, precisava compartilhar com alguém (no caso muitos “alguéns”).

A palavra depressão sempre foi algo proibido dentro de casa, minha mãe morre de medo de ter como se depressão fosse uma doença tão contagiosa a ponto de “pegarmos” só pela pronuncia.

Eu confesso que nunca pensei muito nisso, porque afinal tenho uma coisa muito definida dentro de mim “nunca tomarei remédios que possam trabalhar/atrapalhar/mudar/acalmar minha cabeça/mente”.

Sempre soube que se esse dia chegasse, e ele chegou, eu sairia dessa sozinha e com força de vontade.

Confesso que fiquei com medo, mas a sessão prosseguiu e várias coisas foram propostas.

Posso sair pra dar uma corrida ou fazer uma caminhada quando sentir não ter forças nem pra sair da cama, posso comprar um saco de boxe e começar a treinar para extravasar tudo o que esta, de certa forma, preso na redoma de vidro que eu criei.

Essa foi só a primeira sessão e eu realmente ainda não sei o que serão dos próximos dias, mas posso te contar que hoje acordei mais aliviada, o peito ta bem menos apertado e graças a Deus meu coração anda cheio de amor, mesmo que sem vontade.

Eu quero compartilhar com você os próximos dias e as próximas sessões, quero que você me ajude a respirar mais fundo e colorir de novo meu mundo. Quero muito que você compartilhe comigo seus pensamentos e se você também, de alguma forma, também não tem mais vontade de nada e tem vivido somente por viver.

A vida é um bem muito precioso e só teremos uma chance de viver essa loucura, não podemos entregar os pontos.

Eu não sei como vou vencer a inércia, mas sei que querer já é um bom começo!

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