Contos e Crônicas

A nova doença de Henry

16:10:00

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Dias após a cirurgia, agora com os efeitos de tantos antibióticos literários passando, Henry estava mal.  Não havia muita explicação pra tamanha frustração.

Henry apenas estava com uma sensação de vazio enorme.

Depois da cirurgia, Henry escrevia todos os dias.  Horas e horas derretidas em tinta de caneta.

Henry ainda sentia um certo incomodo devido as picadas de agulha que recebera em seu período de internação. Havia ainda um certo desconforto nos pontos costurados em seu peito.

Henry mal se alimentava, mas estava vivo. Essa era a questão na qual ele se agarrava todos os dias quando sentia seus pontos repuxarem.

Vivo! Henry tinha vida, tinha ar em seus pulmões, mas algo ainda lhe faltava.

Dias após a cirurgia e Henry se via em meio a inúmeros papéis rabiscados, inúmeros papéis amassados e seu coração pulsando fortemente ao chão.

Jogado ao chão estava Henry. De volta a vida e ao chão.

Henry sentia seu coração pulsar novamente e junto com cada batida aquele imensa vontade de mudar, sair do lugar. Voltar a vida foi bom a Henry, mas até que ponto?

Henry estava vivo, mas ainda não sabia o que fazer com a própria vida.

Queria escrever, isso Henry sabia bem.

Queria viajar e conhecer o mundo, mas Henry queria mudar o mundo.

Queria mudar a vida das pessoas que cruzassem o seu caminho...

Henry queria abraçar o mundo e aí encontrava-se sua maior frustração.

Henry tinha braços curtos e fracos.

E o que fazer para alcançar seus sonhos, Henry?

Ele não sabia e eu não conseguia encontrar um caminho que fizesse aquela sensação sumir.

Henry estava vivo, mas até quando aceitaria passar seus dias trancados na solidão de um escritório de redação?

Henry estava vivo, mas aquela definitivamente não era a vida que queria pra si.

Cheio de literatura e amor correndo em suas veias, Henry estava frustrado.

Frustração, essa era agora a nova doença de Henry!

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