Contos e Crônicas

Conto: Um Telefonema - Parte II

17:48:00



Já era tarde da noite quando o telefone tocou, lá fora ainda nevava vestígios de um inverno perto do fim. Carolina como de costume estava embaixo da coberta com seu balde de pipocas e seus dvds preferidos. O toque do telefone preencheu o silêncio daquela casa vazia e também assustou a moça que levantou-se da cama e correu para atender.
Entretanto, antes mesmo que conseguisse, a ligação caiu na secretária eletrônica, e em silêncio Carolina reconheceu aquela voz que dizia:

-  "Olha sei que demorei pra ligar e até mesmo pra voltar, mas será que pode atender pelo menos o telefone? Eu continuo mal criado, mas ainda te amo!" 

Ah, mas mesmo que a voz fosse outra, aquelas palavras entraram cortantes em seus ouvidos e antes que a ligação chegasse ao fim, Carolina encontrou coragem para puxar o telefone do gancho. Ainda em silêncio do outro lado da linha era possível sentir a respiração de Douglas que gagueja tentando falar alguma coisa que fizesse sentido frente há tantos anos passados.

Carolina pensou por alguns instantes em tudo o que teve que fazer para superar aquela perda e nas tantas histórias que ficaram por contar. Encheu os pulmões de ar e também gaguejando perguntou:

 - O...que é qu..e você.. ain...da quer.. co..migo? 

E ao ouvir aquela voz tão doce, Douglas não conseguiu se conter e respondeu quase que gritando: - Amar você, é o que eu quero!

"Ah, mas quem ele pensava que era? Sumiu durantes anos, morou em Londres por três anos, já havia terminado alguns relacionamentos e depois de enjoar de sua vida solitária resolveu voltar para infernizar minha vida?" 

Ela pensava enquanto aquela aquela voz ecoava em sua cabeça.

- Alô? Carol? Carol? Você ainda tá ai? Ca...rol?
Douglas dizia repetidas vezes até se convencer de que era tarde...

"Olha moça bonita, eu sei que não fiz por merecer nem sua voz. Mas bem que você podia falar comigo, aquele dia no café você não pareceu magoada. O que foi? Me desculpa, eu não quis ficar tanto tempo longe, eu não quis ir embora.."

Foram suas últimas palavras antes de ser atropelado por toda mágoa que causara em Carolina.

- "Escuta aqui menino mal criado, você não tem que se desculpar de nada, mas também não venha me dizer que não quis ficar tanto tempo longe. Você quis e ficou. Mas agora não importa, talvez nunca tenha importado. Bem, dane-se, o fato é que agora eu mudei, as coisas mudaram.. Você não pode chegar aqui e fingir que eu ainda sou a mesma de antes, porque vai se enganar. Então presta bem atenção, hoje eu estou com 28 anos e você foi embora quando eu tinha 18. Que fique claro, não sou mais aquela menina boba que você podia enganar. Mas se ainda assim quiser conversar, pelo menos pra exorcizarmos todos esses fantasmas do passado, beleza. Mas você precisa ser rápido."

Quando silenciou, Carolina não se aguentou e começou a chorar. Afinal ela queria mostrar a ele que estava forte, que agora era uma mulher adulta que não aceitaria ser passada pra trás. Mas a verdade é que sentia saudades, a verdade é que ainda o amava como na primeira vez que se viram...

Todos aqueles pensamentos e o choro foram interrompidos pelo sinal do telefone, sinal que indicava que a ligação tinha chegado ao fim...

A partir daquele dia, mesmo sem querer, voltou a se sentir uma menina. Angustiada e cheia de medos todos os dias quando chegava em casa, Carolina checava a caixa postal, os emails, a mensagens no celular, mas nada. Não haviam sinais dele em lugar nenhum.


TO BE CONTINUED...







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4 Comentários

  1. ESSE TO BE CONTINUED É OSSO...
    MAS VAMOS AGUARDAR!

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  2. Pôo Will, tem que esperar amigo! Histórias sempre tem bons finais, talvez o da Carol também não seja diferente viu Alineee :DDDD

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  3. Nem um sinal??? Que sensação ruim que me deu agora??? Esperando ansiosa o final feliz desenrolar...

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